Desde criança tenho gatos. O primeiro deles foi o Nataré. Dele quase não
lembro, sei apenas que era um gato preto. E que tinha esse nome
esdrúxulo. Depois veio a Pita (nome dado pelo meu irmão, já que no livro
de inglês dele tinha um gato chamado Peter, e como ela era fêmea não
teve dúvidas: Pita). Uma fera, arranhava tudo que via pela frente: móveis
e pessoas. Então surgiu o Agatão, nome de um poeta trágico da Antiguidade. Era um siamês gordo e lindo que caiu da janela. Como
chorei. Tal acontecimento me fez crer que nunca mais teria gatos. Até
que chegou a Tita - um marco entre os gatos que tive. Foi como Sócrates
para a filosofia, Jesus para o cristianismo e Newton para a física. Pouco depois me mudei. E ela continuou na casa dos meus pais. Mas, mesmo
longe, ela continuava sendo minha. Há alguns anos ela morreu e até hoje é lembrada. Não só pelos filhos que deixou e que foram adotados pela Alice, minha filha, como pela sua perspicácia. Inteligente, bipolar,
geniosa, louca, voluntariosa, selvagem.... adjetivos não faltavam para
tentar rotular a gatinha. Ao mesmo tempo que parecia descender de uma
linhagem de gatos selvagens, em outros momentos parecia gente, parecia
que ia falar, mas as palavras não lhes saiam da boca. Linda e selvagem. Essa era a Tita.

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